9a Goiânia Mostra Curtas

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BLOG oficial Goiânia Mostra Curtas


11 de outubro de 2009
Filmes que faltam

Todos os alunos receberam filmes para criticar.. Os filmes que estão sem críticas, normalmente se deve ao fato que o aluno não entregou texto ou faltou à sessão. Lembramos aos alunos que os textos podem ser enviados ao coordenador da oficina, Marcelo Lyra, mesmo após o fim do festival.

Postado às 16:53


Filmes de Sábado

Nacos de Pele
O curta experimental Nacos de pele, dos diretores Leonardo Barcelos e Hélio Lauar, traz a tona as sensações humanas, em especial a paixão. As imagens sem foco e distorcidas mostram cenas sensuais de um casal, complementadas por lindas imagens aéreas. Para quem gosta de poesia e fantasia, é um prato cheio. (Daniel Martins dos Reis)

História de Umbigo
Esse curta retrata de forma sensível um aspecto muito comum em famílias: a filha única, a princesa da casa, ganha um irmão mais novo. A atenção e o colo da mãe passam a ter um novo dono, e a primogênita acaba perdendo espaço. Aí entra o umbigo, o protagonista dessa história. Como uma reação a esse novo integrante da família, essa menina passa a sentir coisas estranhas, seu umbigo se transforma em uma grande boca esfomeada, que devora tudo, primeiro ataca a geladeira, depois até seus próprios brinquedos, nem o patinho de plástico escapa.
Talvez a diretora Michelle Gabriel quisesse brincar com a afirmação popular que se refere à pessoa egoísta como quem “só olha para o próprio umbigo”. Busca assim retratar os sentimentos dessa menina com relação ao irmão. Esse filme também pode ser visto como uma forma da menina expressar a falta da mãe, visto que o umbigo também já foi o elo que unia as duas. Há ainda um elemento particular: o fato dos personagens não terem olhos, mas não deixarem de demonstrar o que sentem e o quanto sofrem.

A Mulher Biônica
Armando Praça coloca o roteiro de uma forma realista e com uma visão naturalista, nos envolvendo com mudanças constantes de cenas em tempo presente e passado recente.
O filme relata a estória de uma mulher de classe média em São Paulo que tem a responsabilidade de sustentar parentes e a empregada dentro de sua casa. Somando a pressão financeira, problemas com vizinhos, as supostas decepções amorosas e o péssimo relacionamento com o pai, a protagonista se tornou uma pessoa amarga e ranzinza. Ela não mais tem controle sobre suas ações. Até que um dia decide ir ao cinema, descobrindo que é um alívio extravasar essa energia negativa. (Lara Morais Kuehlewind)

Superbarroco
O curta metragem pernambucano da diretora Renata Pinheiro conta a história de um homem louco e solitário. A diretora usou uma narrativa com sobreposições de projeções no cenário que deixa o filme belo e intrigante. Com a projeção pode-se assumir que vemos os devaneios e fantasmas da mente do perturbado personagem interpretado pelo excelente ator Everaldo Pontes . Ao final do filme, acontece uma festa de aniversário em que ele interage com os convidados, mas assumindo um outro papel e é uma das poucas passagens no filme em que se entende o que ele diz: “Eu também vou morrer hoje.” (Eduardo Jacob)

Nem marcha nem chouta
Um documentário que foge dos padrões comuns, pois não possui falas nem legendas. As sequências longas falam por si. As imagens focam uma barraca que vende carne em um lugar qualquer, chamando a atenção para a falta de higiene. As carnes estão expostas de qualquer maneira, várias moscas pousam sobre elas. Em um momento, o garoto que está na barraca começa a retirar algo da carne, provavelmente ovos de moscas. Falta de informação ou consciência? Não deixa de ser perturbador constatar que se a carne esta lá é porque alguém consome. (Raul Rodrigues da Costa Neto)

Uma Flor
O curta é inspirado no conto Resto do Carnaval, de Clarice Lispector. A garota Alice assiste as marchinhas de carnaval que passam em frente sua casa, mas não pode ir além do portão. Mesmo assim, se deixa contagiar pela alegria do carnaval. Quando entra em casa, sente o contraste, pois o clima lá é triste. Alguém esta doente. Há um confronto entre a alegria contagiante, porém passageira, que é o carnaval, com a realidade que muita das vezes não é tão boa porém duradoura. O que mais chama a atenção em Uma flor é a fotografia, muito bem planejada. (Raul Rodrigues da Costa Neto)

Phedra
O documentário retrata a história de Phedra, uma travesti cubana que chegou ao Brasil em 1958. Ela conta, com muito orgulho, satisfação e com sotaque carregado, sua própria história, de Cuba até os dias de hoje, na companhia de teatro Os Satyros.
Phedra é muito viva, espontânea e alegre, contagiando o filme do começo ao fim. É interessante a forma narrativa, com alternância de cenas da protagonista assistindo sua apresentação anos atrás, relatando suas experiências e fazendo demonstrações atuais, cantando e dançando para a filmagem.
Pode-se dizer que o que faz o documentário animado e interessante é o conjunto de fatores que só Phedra tem: seu talento e estilo extravagante, além de seu jeito “desbocado” de ser – sem medição de palavras. (Lara Morais Kuehlewind)

Postado às 16:46

10 de outubro de 2009
Novos filmes desta sexta feira

Booker Pittman
O diretor paranaense Rodrigo Grota mostra a passagem do músico Pittman pelo Brasil. Na verdade trata-se de uma tradução mais sensorial desse músico que adorava usar sua arte para viajar e viver em vários lugares diferentes. O filme se fragmenta em passagens por onde ele viveu, com muitas cenas significativas, como a de Booker numa plantação em que ele aparece com o horizonte bem aberto, representando sua imensa liberdade e desejo de ser livre. A musica enriquece a montagem, enquanto a fotografia magnífica usa grandes closes e flashes em preto e branco, com boas técnicas de uso da contraposição de luz. O grande público – que talvez venha esperando um documentário – é surpreendido com uma ficção e é aí que o espectador deve ficar atento paras as constantes idas e vindas do tempo não cronológico, para a abstração desse quebra cabeça. (Eduardo Jacob)

Muro
O filme muro (ficção) é um curta com jeitão de superprodução feito em scope pelo diretor Tiao (Bruno Bezerra). Foi produzido dando enfoque a uma maior profundidade às cenas que são muito bem compostas, com elementos simples apresentados em forma mítica com um leve toque de complexidade. De quebra, tem lindas imagens do sertão nordestino, compostas de muitos efeitos visuais. O resultado é um filme que aborda a distancia entre os seres humanos e a complexidade da alma humana com o enfoque na fé. Um elemento bastante instigante que é apresentado como sagrado é um local de peregrinação que faz jus ao muro das lamentações. (Daniel Martins dos Reis)

Nós somos um poema
Anotações, letras de músicas, imagens de arquivo e entrevistas nos revelam a parceria entre dois grandes mestres da música brasileira, Pixinguinha e Vinícius de Moraes. Os dois trabalharam juntos na trilha sonora do filme “O sol sobre a lama”, de 1963, que ficou esquecida por 40 anos, até ser regravada em 2007. É assim que o documentário carioca “Nós somos um poema” resgata a importância musical desse encontro entre o poeta e o compositor, que eram amigos. Relação que influenciou tanto a vida quanto a carreira de ambos. Foi com Pixinguinha que Vinícius se rendeu aos encantos da Bahia, com seus deuses, ritmos, cores e sabores.
As interpretações que grandes nomes como Elza Soares, Diogo Nogueira e a cantora Céu fazem de músicas criadas pelos dois nos fazem sentir a força, a genialidade dessa parceria, que se reconstrói, se renova no trabalho que une Mariana de Moraes e Marcelo Vianna, netos de Vinícius e Pixinguinha. (Ceiça Ferreira)

Dj do Agreste
Esse documentário retrata a história de Paulo Lourenço, alagoano de Arapiraca que ao migrar para São Paulo tem sua vida transformada pela música, e ao voltar para a cidade natal cria um bar, o “Bar do Paulo”, um famoso ponto de encontro de artistas, estudiosos, e qualquer pessoa que se interessasse por música de qualidade, principalmente jazz e blues.
Mas Paulo é mais do que apenas um apaixonado por música, é um educador, ele repassa de forma voluntária aos freqüentadores de seu bar e à comunidade sua formação musical, o que nos faz ver esse homem simples e ao mesmo tempo moderno como o que diz uma música de fundo no filme, como um “cavaleiro solitário”, que apesar das dificuldades financeiras, se orgulha de compartilhar com os outros o que sabe; de cultivar nessas pessoas o interesse pelas artes, seja a música, o cinema ou a literatura; de nos fazer acreditar que a vida pode ser muito mais do que ela é. (Ceiça Ferreira)

Postado às 18:30


Filmes de sexta feira

Untitled Film #1

O curta de Larissa Rabelo teve como inspiração uma foto de Cindy Sherman sobre uma mulher inconsolável, que está em um bar tentando se embriagar por causa da perda do amante. Até aí, nada que os dramas das novelas globais ou mexicanas não tivesse mostrado. Contudo isso não prejudicou o interessante trabalho que envolveu truques de filmagem, ora em preto e branco, ora a cores, para criar um clima a mais, tudo apoiado por uma excelente trilha sonora.

A dramatização deixou a desejar na atuação de Fernanda Pimenta (mulher) e Hélio Fróes (amante) talvez prejudicados pelo roteiro. A cena em que os dois se desentendem no apartamento é bastante superficial e não causou surpresas.

Mas o filme que recebeu o Prêmio Estímulo à Produção do Vídeo Universitário no IV FestCine Goiânia 2008 e merece ser conhecido. (Lara Vieira)

A Invasão do Alegrete

A Invasão do Alegrete é uma simpática comédia, com uma produção bem cuidada. Ambientado em estúdio, trabalha a iluminação para reproduzir o efeito de tempo (dia ou noite). O curta-metragem utiliza alguns artifícios para parecer moderno, como por exemplo a cena em que dois personagens andam em bicicletas estáticas a frente de uma tela que exibe imagens, dando a ilusão que os personagens estão em movimento. A história aborda a intriga entre as vizinhas Uruguaiana e Alegrete, e brinca com o fato da chegada do primeiro telefone a uma delas. Sabendo do fato, dois uruguaianenses resolvem passar um trote no médico da vizinha, dizendo que ela será invadida. As autoridades resolvem se esconder e sobra para o próprio Doutor o encargo de salvar Alegrete. A história tenta ser engraçada, mas parece ter um humor regional, que deve ser válido apenas no Rio Grande do Sul, onde a história é ambientada. Contudo, o curta-metragem mostra belas imagens, em cenários que lembram uma peça teatral filmada. (Vinícius Araújo)

Olhos de Ressaca

Tudo passa, mas as memórias permanecem vivas e o amor verdadeiro continua o mesmo apesar do tempo. Vera e Gabriel são um casal já idoso que busca na memória suas historias, do inicio do relacionamento, no aniversario de 15 anos de Vera, e como o carinho e compreensão os mantiveram unidos.

Enquanto o casal narra suas historias, é feita uma interessantíssima composição de imagens, alternando filmagens recentes com fotos e filmagens antigas. O recurso, além de prender a atenção do espectador, reforça a ideia de memórias. (Jade Castro)

Que Cavação é essa?

O curta com direção de Estevão Garcia e Luís Rocha começa com uma transmissão de um filme gravado na fazenda do coronel Alexandrão, em preto e branco e do tempo em que o som não fazia parte do cinema. Vemos o coronel num churrasco em sua fazenda, com pessoas ilustres da sociedade. Durante o evento acontece de tudo. No inicio, todos são bem civilizados, mas depois vemos todo mundo se abraçando, deitados no chão. Esse momento lembra muito a última cena do longa Perfume de Tom Tykwer. De repente voltam as cores, o som e uma imponente voz de locutor de rádio, que enfeitiça nossos ouvidos prendendo a atenção.

O locutor Jorge Ramos interrompe o churrasco do Coronel para contar como funciona o trabalho dos arqueólogos cinematográficos e sua importância para o cinema brasileiro, além de falar dos nossos filmes que já se perderam em incêndios, ou por armazenamento inadequado.

Descobrimos então, em 19 minutos, que os filmes brasileiros são restaurados pelos arqueólogos, que o coronel existiu e sua fazenda foi gravada em duas situações, o churrasco e o incêndio que pôs fim a sua carreira cinematográfica. Ainda ouve tempo de se discutir o coronelismo no cinema brasileiro.

E foi dessa forma interessante, que os diretores fizeram um curta de ficção muito dinâmico e levantaram questões intrigantes sobre como não damos o real valor ao passado do nosso país. (Jade Castro)

Cheirosa

O filme retrata o mundo das mulheres modernas e independentes, que não são mais a representação do sexo frágil na sociedade. Esse é o tema central do curta Cheirosa, que foi exibido no 9° Goiânia Mostra Curtas.

O diretor, que é um homem, Carlos Segundo, conseguiu retratar com simplicidade essa independência feminina sem tornar a mulher uma feminista que quer tomar o lugar dos homens na sociedade. (Jade Castro)

Samba resistência

Logo no começo do documentário, dirigido por Diego Cardoso, são demonstradas imagens de manifestações de vários momentos da História. Após esse resgate histórico, o diretor nos leva ao samba marginalizado que luta desde a década de 60 por sua expressão artística, luta essa que pode ser comparada ao Cinema Marginal, pois ambos os movimentos enfrentaram as censuras da época.

As imagens são bem detalhadas tanto no preto e branco, quanto no colorido, retratando as expressões dos cantores, instrumentos e músicos. As filmagens aconteceram na loja Miguel Fasanelli e na casa de Oswaldo Pepê, em 2008; e o curta conta com a participação especial de Rose Calixto que revela sua opinião em relação a Bossa Nova. Ao final Oswaldo explica porque essa resistência do samba não terá fim. (Rodrigo Oliveira)

Aos pedaços

Esse curta-metragem traz a divisão da ação de fazer a arte e a realidade do cotidiano. O diretor Taciano Valério mostra que se não soubermos equilibrar essas situações, podemos não realizar os projetos desejados e relata também que fora da telas de cinema há prioridades que não podem ficar de lado. Mas o principal resultado desses oito minutos de curta é a demonstração dos elementos existentes na realização desse documentário, contados aos pedaços. (Rodrigo Oliveira)

Preistachion 13

A versão treze nesse curta de animação indica que “o azar é dos inimigos”, e para assustar os inimigos os diretores Rodrigo Piologo e Rogério Vilela trazem as características de um grande herói de ação do cinema hollywoodiano. Essa animação apresenta quatro clássicos do videogame e um convidado muito engraçado no jogo de Ping Pong.

Já o roteiro traz adjetivos que nem o “Rei do Elogio” – Carro Velho, locutor de Quixeramobim/CE – seria capaz de inventar. Os diretores transmitem também um alerta em relação aos jogos piratas comparando-os aos impostos cobrados pelos jogos originais. A trilha sonora é composta por uma paródia da música Tieta, famosa novela da rede globo, cantada na época por Luiz Caldas. (Rodrigo Oliveira)

A Montanha Mágica

“O tempo parou…”, “como se fosse ontem…”, cita o narrador deste documentário do diretor Petrus Carity, que fala das lembranças de sua infância. Para demonstrar essa nostalgia ele coloca dois momentos marcantes e extremos no curta. Primeiro, a iluminação da cidade e do parque de diversão na escuridão da noite, retrato da alegria, movimentação e agitação. As luzes sobre as sombras e vice-versa, dão a sensação de bagunça e excitação. Já o segundo momento é o amanhecer onde tudo se aquieta, o parque pára, a roda gigante já não gira mais e as luzes se apagam, deixando o sol iluminar a cidade no seu próprio tempo.

O filme propõe ao público andar de roda gigante, a tal “Montanha Mágica”, e assim buscar o que o diretor chama de “tempo perdido”. (Lara Morais Kuehlewind)

O Anão que Virou Gigante

O curta se baseia na estória de um menino que sofre preconceitos pela sua baixa estatura. Mas será mesmo que isso é um bom motivo para a rejeição das pessoas? Na perspectiva do personagem, se ele fosse muito alto, um “Gigante”, não mais teria problemas! Ou pelo menos os problemas não seriam os mesmos… É exatamente o que essa animação bem humorada vai nos levar a refletir. Na simplicidade de imagens, cores e da própria narrativa, essa pequena comédia nos revela uma lição de vida com muito bom gosto! (Lara Morais Kuehlewind)

Postado às 14:12

9 de outubro de 2009
Mais filmes desta quinta feira.

O Divino, de repente
Nesse curta, o diretor Fábio Yamaji une a técnica de animação à prosa ligeira e engraçada de Ubiracy Crispim. Personagem que narra, ou melhor, canta em versos sua história de vida, suas inúmeras aventuras e peripécias, do tempo de menino, da época de rapaz que queria arrumar namorada, e tantas outras, como o dia em que passou a se chamar Divino, um nome mais fácil. E é como uma brincadeira de criança que esse filme de apenas seis minutos consegue nos envolver, nos fazer rir dos causos e traquinagens de Divino, e principalmente, nos encanta com toda a riqueza e pluralidade da cultura popular. (Ceiça Ferreira)

 

Aos Pés

No prólogo do curta gaúcho “Aos pés”, de Zeca Brito, a voz de Ademilde Fonseca anuncia: “Escute com atenção / Aqui está o baião / Falando ao coração / Veja, como ele é tão delicado (…) Ouça, o que o amor pode fazer”. A canção “Delicado” de Waldyr Azevedo diz muito sobre o filme que estamos assistindo. A tela branca dos créditos iniciais é manchada pelas inúmeras pegadas coloridas de uma obra de arte coletiva. A câmera que está aos pés ali permanecerá até o final, em posição humilde e alheia à irresistível e desgastada sedução do rosto. Será o diretor um podólatra, ao eleger como objeto de voyerismo até mesmo os pés de uma estátua de bronze? O fato é que o curta resulta numa interessante pesquisa da gestualidade e da linguagem própria dos nossos pés, provando que muitas vezes eles se comunicam com os pés dos outros, sem que prestemos atenção a essa conversa. Não vemos o rosto dos atores e para compensar a falta de referência da leitura labial à qual estamos habituados, os diálogos assumem o primeiro plano auditivo, como se estivéssemos com as orelhas próximas às bocas de quem fala – recurso que nos deixa íntimos do casal de protagonistas, Luíza e Pedro. Eles se conhecem enquanto lavam os pés descalços e manchados de tinta. Ela, estudante de artes plásticas, expansiva, só sabe falar de si e se gaba de ser histérica e bissexual. Ele é daltônico, “vê o mundo de um jeito que ninguém vê”. Feitas as apresentações, a câmera segue os pés já calçados do casal pela cidade, registrando o balé que fazem no jogo da sedução, a caminho do apartamento de Pedro, onde o balé continuará até que os pés finalmente se “beijem”. Vendo o travelling entre as fileiras de motos estacionadas, é impossível não lembrar de uma das minhas cenas preferidas de “Limite”, de Mário Peixoto, onde os pés de uma mulher caminham pela calçada e entram porta adentro de uma casa. A câmera espera de fora e, depois de certo tempo, os pés da mulher saem acompanhados pelos pés de um homem, que a segura pelo braço. Guardadas as devidas proporções, “Aos pés” se aproxima de “Limite” pela sutileza no modo como trabalham a câmera em seus planos fechados. Parafraseando o curta, “na vida” (e no cinema) “tudo é uma questão de ponto de vista”. (Carlos Cipriano)

Confessionário

Confessionário busca na simplicidade uma imersão aos relatos vividos pelo missionário católico Silvano Sabatini durante sua estada na Área Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O documentário de 15 minutos parece despretensioso, mas revela-se bem planejado através dos elementos visuais. O curta é quase todo gravado em plano sequência em um cenário rodeado por livros. A câmera parece não existir à frente do missionário tamanha a desenvoltura dos relatos, o que remete uma lembrança ao sacramento católico da confissão. O curta se encerra com uma intervenção do diretor que pede uma pausa para trocar a fita, podendo haver uma segunda intenção neste modo de proceder, já que o diálogo é mostrado. (Vinícius Araújo)

Postado às 18:20


Os textos deste blog são de autoria dos alunos da oficina de introdução à crítica de cinema.

Cada aluno ficou encarregado de comentar dois filmes. Os que faltam se devem a atrasos ou desistências.

Postado às 16:28


Mais filmes desta quinta feira

 

Laurita

Laura está brincando na piscina com outras crianças e parece não interagir muito com suas amigas. Ela fica colocando e tirando a cabeça de dentro d’água, o que lhe dá visões diferentes fazendo alusão à sua própria inconstância de pré-adolescente. Essa é a média metragem “Laurita” do diretor Roney Freitas. Laura e sua mãe são hóspedes numa casa de praia do interior paulista. A menina parece não estar gostando de crescer e tem atitudes infantis, como roubar um chocolate para chamar a atenção da mãe que passa por um período difícil, assim como ela. Apesar de seus atos, Laura tem na mãe uma protetora que a faz ver que a vida não é tão assustadora quando se tem alguém com quem contar. (Eduardo Jacob)

Nascida Para o Céu
Um casal à espera de um filho em um momento inapropriado. É neste dilema que envolve problemas econômico-sociais que surge a história de Nascida Para o Céu. O curta-metragem de Rogélia Pinheiro é forte e relata o drama de uma família brasileira. Os diálogos do personagem João das Dores são bem conduzidos e reproduz o sentimento de um pai que busca novas perspectivas. O momento do parto é bem retratado, com destaque para atriz que protagoniza a cena. A religiosidade é outro tema revelado nos últimos momentos e conduzido de forma bem humana. Dentre os recursos visuais, a fotografia e a ambientação revelam um típico filme nacional. Em 8 minutos, o curta aborda uma história que poderia ser real, onde a esperança é transformada em tristeza. (Vinícius Araújo)

           

A Ilha 

O curta-metragem “A ilha”, de Alê Camargo faz uma divertida abordagem da vida nas grandes cidades. Inúmeros prédios, carros em alta velocidade e muito barulho compõem o cenário de um cotidiano em que tudo acontece de forma veloz, criando assim um verdadeiro caos.

            Com uma narrativa dividida em capítulos, esse curta retrata na história e nas aventuras de Edu, alguns aspectos do nosso cotidiano, como se preocupar em ficar sem comunicação, completamente isolado do mundo quando a bateria do celular descarrega; ou sentir medo de ser atropelado por motoristas que mais parecem pilotos de Fórmula 1.

            É assim que esse personagem fica completamente ilhado, só que em um mar de carros, e dentro de sua própria cidade, numa rua em que ele costumava passar. Apesar de tantas peculiaridades, esse náufrago vive situações parecidas com as de um famoso filme de Hollywood, só que com uma pitada a mais de humor, o que faz dessa animação uma forma criativa de olhar, de refletir sobre nossa maneira atual de ser, de estar no mundo. (Ceiça Ferreira)

 

Nº 27       

Tensão, medo, vergonha, timidez, insegurança e tantos outros sentimentos vividos e sofridos com tanta intensidade na adolescência são abordados no curta-metragem “Nº 27”, do diretor Marcelo Lordelo.

Os constantes closes no rosto de Luiz destacam suas reações e principalmente, nos das angústias que esse personagem sente dentro da escola, como a apreensão na hora da prova, o constrangimento com as piadinhas dos colegas, e principalmente, o pavor que sente de ser descoberto, ridicularizado por razão de um incidente. O que nos remete aos dilemas que envolvem esse momento da vida de qualquer pessoa, principalmente com relação à dificuldade de se integrar, de se ser aceito.

E em um momento em que esse relacionamento dentro da escola, entre os colegas tem apresentado sérios problemas como a prática do bullying e outras diversas formas de violência psicológica e até mesmo física, esse filme possibilita aos pais e professores repensar a função da educação atualmente, principalmente no que diz respeito a necessidade de conviver e respeitar as diferenças, evitando assim que experiências comuns se tornem grandes traumas. (Ceiça Ferreira)

 

Reverso

O filme “Reverso”, do diretor Maranhense Francisco Colombo, gravado em um belissimo plano sequência conta a história de dois homens de classes sociais distintas. Um deles está fazendo um documentário para a faculdade. Enquanto filma um bebado, é surpreendido por um assaltante afrodescendente. Quando o ladrão lhe pede o equipamento, o estudante se recusa a entregar argumentando que eles são iguais. E aí está o mote do filme. Neste momento acontece uma trágica reviravolta que nos faz perceber que podemos ser produtos do meio. O filme conta com uma grande performance dos atores, com destaque para Gilberto Martins, intérprete do assaltante. (Eduardo Jacob).

Postado às 16:24


TEXTOS RELATIVOS AOS FILMES DESTA QUINTA FEIRA

Super Augusto Bros.

Uma animação que conta a vida de Augusto, um viciado em vídeo game que se autobiografa por intermédio dos joguinhos. Muitos vão se identificar com o personagem e reconhecer os jogos que contam a vida de Augusto.

Com direção de Fernando Cortês, Diogo Castanheira e Bruno Godinho, o curta de animação é muito divertido e exige do telespectador atenção para o tempo e espaço, o que garante umas boas risadas. (Jade Azevedo)

 

Nessa pedra eu tropecei

No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho… Esse é o inicio do poema de Carlo Drummond de Andrade, que muitos interpretam como as dificuldades da vida a serem enfrentadas. Até ai nenhuma novidade. O curta de animação dirigido pelo grupo Empreza, conta a historia de pedras de maneira bem subjetiva, o que complicou, e muito, a interpretação do filme. A metáfora das pedras passagem, foge um pouco da idéia Drummond. Mas é um filme aberto para o espectador tentar descobrir por que sai pedra de pedra.

 

Os tios de Awá
Como a grande maioria da população vive em uma selva de pedra, esse documentário traz imagens de um dia-a-dia cercado por uma floresta com fogão a lenha, artes e música. Os tios de Awá, dirigido pela Uliana Duarte tem duração de doze minutos e foi filmado nos meses de novembro e dezembro de 2007, na região amazônica paraense. O ponto central é a primeira chuva do bebê Awá, chuva que simboliza a mudança de estação do ano no local. O curta não apresenta um plano geral da região, mas tem sua força na riqueza de imagens em seus detalhes e como complemento uma agradável trilha sonora do KarajazZ.  (Rodrigo Oliveira)

 

Fractais sertanejos 

Rico documentário dirigido por Heraldo Cavalcanti, sobre um ex-pedreiro que, após sair do estado de coma, que considera seu segundo nascimento,

Descobre seu talento para a arte e encontra na natureza inspiração. Sua arte é composta de esculturas abstratas que ele chama de  Tudo e Nada, as quais sugerem uma infinidade de interpretações. Chama a atenção o carater reflexivo que o artista tenta passar para o espectador, sua relação com a natureza. Ela seria a arte perfeita que muitas vezes acaba passando despercebida pela maioria das pessoas. As formas de fractal juntam pequenas partes para gerar algo imenso e único. (Raul Rodrigues da Costa Neto)

 

A casa da praia

Mais um suspense sobre espíritos que não traz nada de inovador. São cinco jovens em uma casa de praia. No começo, três deles fazem a conhecida brincadeira do copo, para tentar contactar espíritos. Para surpresa deles, isso acaba indo muito além de uma simples brincadeira. Apesar da estória deixar a desejar, o curta consegue gerar algum clima de suspense e talvez um certo desconforto a quem assiste, graças a boa trilha sonora e fotografia bem bolada. (Raul Rodrigues da Costa Neto)

 

Graffiti em ruínas e outros muros

Esse documentário dirigido por João Novaes conta com a presença dos artistas renomados, como os goianos Siron Franco, Diogo Rustoff e Wés; e tem também a participação dos paulistas Chivitiz e Zezão.

O filme traz, em vinte e cinco minutos, um panorama dessa arte renovável dos grafiteiros, que se espalha pelas ruas da cidade de Goiânia/GO. Uma arte que certamente agradaria artistas do impressionismo como Cézanne, Gauguin e Van Gogh. Assim como eles que lutaram por suas marchas de cor, por reflexos e decomposições de luzes; o curta demonstra a dificuldade desses artistas de rua na luta por sua arte pública. Uma arte que já tem até versões em 3D, como ocorre nos cinemas. (Rodrigo Oliveira)

 

Malabares, os filhos dos outros

Essa é a estória de duas moças e uma menina que trazem o circo a uma pequena cidade para quebrar sua entediante rotina. A menina percebe o cotidiano absurdo da cidade. Com sua câmera de filmar, ela capta cenas da violência infantil de forma artística, e repassa sua percepção no seu espetáculo para as pessoas da cidadezinha.O diretor brinca com cores, imagens e som. O circo e a perspectiva da menina são retratados por cores vivas, ao passo que a cidadezinha e a violência por cores sóbrias. A troca constante de imagens fotográficas, as simétricas e as artísticas, dão um ar de ação e ficção. Os barulhos detalhados enfatizam as sutilezas das imagens, o que faz o espectador focar a ação da cena. O Filme todo é visualmente muito vivo, mesmo que o assunto principal, fora a passagem do circo, seja a violência. (Lara Morais Kuehlewind)

Postado às 12:48

8 de outubro de 2009
MAIS FILMES DE QUARTA FEIRA

A Última Mordida

Diante de um ecossistema totalmente afetado, o curta “A última mordida” aborda um tema que já foi bastante discutido: ataque de tubarões na costa do Nordeste brasileiro. Com uma trilha sonora bastante interligada às imagens, o diretor mostra relatos emocionantes, conservando a expressividade inconfundível do povo nordestino.
Com imagens das matérias feitas pela imprensa, o documentário  mostra a idéia do homem prejudicando o meio marinho, provocando redução nos alimentos dos tubarões que, famintos, chegam à praia. Começa pelos depoimentos de surfistas, trabalhadores e banhistas. Todos demonstram paixão e conscientização.
Com uma sequência de comentários, o filme tem um caráter ambientalista, mostrando que, como sempre, há muita politicagem envolvida, principalmente no caso do Porto de  Suape, uma construção que afetou drasticamente a geografia dos manguezais da região, e também um antigo matadouro, os quais geraram enormes consequências na região, tanto social quanto ambiental. O filme também tem grande apelo preservativo, ao mostrar a importância dos tubarões de lá naquele habitat que o homem conseguiu desequilibrar. (Iohanna Hardy)

  

Ressignificar

Dirigido pela premiada documentarista Sara Vitória, este documentário trata de um temas muito atual e mundo a fora. Sua pedra de toque reside na proposta de assinalar a euforia desenfreada do homem de sempre ter em detrimento do ser. Aborda questões como o alto nível de consumo que predomina o mundo, a constante idéia de imediatismo que vem assolando a sociedade, influência da industrialização, a falta de políticas emergenciais e a necessidade de um novo modelo de sociedade.

Além de prender a atenção do espectador, chama a atenção para questões como a grande produção de lixo eletrônico produzido por países ricos. Como não poderia deixar de ser, a voz da autoridade acompanha e chancela as imagens e idéias, provoca um diálogo com os espectadores. Como viver esta vida acelerada e preservar o meio ambiente sem prejudicar o desenvolvimento social e o avanço tecnológico? Um filme para jovens e adultos. Excelente roteiro, produção, montagem e técnicas audiovisuais. (Théo Ferreira) 

Memórias de Sombras

Este é um filme documentário do premiado diretor Douglas Pinheiro, que narra a vida de três mulheres em meio ao início incerto de relacionamentos no tocante a falta de afeto, fatores predominantes e responsáveis pela baixa estima. O filme deixa sempre em aberto na narrativa da protagonista um suspense quanto ao que aconteceu com sua vida recheada de traumas no relacionamento, mas mesmo tendo sido vítima de maus tratos, ainda ama o pai de seus filhos. Essa vontade de viver, essa força interior de mulher, mesclada pela falta de afeto sincero, vai encontrar no entusiasmo de amar e ser amada, a idéia premente de constituir uma família propriamente sua. Ela encontra apoio nos braços de suas amigas que comungam e reforçam o conceito de que a mulher ainda não conhece a força que tem. O filme deixa escapar que ainda continua sendo a família o eixo central e referencial da vida. Por meio de mensagens, o filme discorre sobre a importância dos sonhos para se alcançar o propósito desejado. No final é revelada a trama do texto, a memória, onde reside  o obscuro do passado as cicatrizes e sombras e o que é preciso lembrar para não se esquecer de si e se contemplar com a beleza da vida e do futuro. (Théo Ferreira)

 

Roleta Russa

O título Roleta Russa já causa impacto e consequentemente gera muitas expectativas, até porque o jogo de sorte ou azar não é novidade no cinema. O curta-metragem é um suspense adolescente com foco em um grupo de góticos – cultura contemporânea com base em uma estética sombria, que tem como influência o rock e o visual composto por roupas predominantemente de cor preta. Dentre outras brincadeiras, eventualmente arriscam a vida em uma brincadeira perigosa, onde os participantes colocam uma bala em uma das câmaras de um revólver, apontam a arma para suas cabeças e atiram. Com direção de Marco Antônio Ferreira, os efeitos sonoros foram bem trabalhados e nos momentos culminantes possuem enorme importância, cumprindo a função de gerar um clima de suspense.

Obviamente o curta-metragem foi feito com recursos limitados, e isso deve ser considerado. Entretanto, ficaram algumas dúvidas em relação à trajetória dos personagens, pois se tratando de jovens de classe média alta é de se estranhar o fácil acesso ao local onde ocorre a primeira morte, ainda mais que o caso ganha destaque na televisão. Mas isso não chega a atrapalhar o desempenho da obra, que ainda conta com bons artifícios. A iluminação, por exemplo, foi fundamental para criar um clima tenso. O desfecho é bem interessante. Com uma construção criativa e planos elaborados, neste jogo cinematográfico houve mais sorte do que azar. (Vinícius Araújo)

 

Silêncio e Sombras

Silêncio e Sombras é uma animaçao em 3D do diretor paranaense Murilo Hauser, baseada no poema Der Erlkönig,de Johann Wolfgang von Goethe. O filme conta a aventura de um menino que, montado em um cavalo, atravessa um bosque escuro e sombrio, com uma bela contraposição de luz e excelente fotografia. Nessa travessia ele encontra vários obstáculos que fazem uma referência ao nosso desenvolvimento pessoal. Além de se basear no poema de Goethe, o diretor utiliza a música homônima de Franz Schubert como pano de fundo que casa perfeitamente com o ritmo do filme. (Eduardo Jacob)

Ressignificar
Vencedor do troféu José Petrillo para melhor produção goiana no XI Festival de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), Ressignificar tem o mérito de levantar uma discussão interessante: a possibilidade de “reciclar” o cinema, dando novos sentidos a imagens já captadas e reduzindo, consequentemente, o impacto da atividade no meio ambiente.
Em cerca de 15 minutos, o documentário da realizadora Sara Vitória entrevista cineastas e outros profissionais ligados à produção audiovisual da região Centro-Oeste para mostrar que é possível criar o novo a partir do velho. Nomes como Joel Pizzini, Lourival Belém Jr. e Cláudia Nunes dão seus depoimentos. Para reforçar o argumento, Sara lança mão de trechos de filmes exemplares nesse sentido: os curtas goianos Rapsódia do Absurdo e Concerto da Cidade são dois deles. Arrisca ainda interferências gráficas nas imagens: mudança de colorido para preto e branco, avanço ou retrocesso rápido etc, com o objetivo de ilustrar as falas.
Coerente, mas também óbvio, denuncia a existência de uma mente curiosa e inquieta na concepção do trabalho. O didatismo de Ressignificar atrapalha seu discurso em favor da exploração da possibilidade poética do cinema. A forma convencional não acompanha a ousadia temática do filme. Indica, isso sim, o potencial de uma realizadora que se dispõe a repensar o “fazer cinematográfico”. Não é pouca coisa.  (Marco Vigário)

Postado às 18:36


TEXTOS DOS FILMES DE QUARTA-FEIRA

Nota: Os textos aqui apresentados refletem a opinião exclusiva dos alunos do curso de introdução à crítica de cinema, não refletindo necessariamente a opinião da organização do Goiânia Mostra Curtas.

Alguns filmes não foram comentados devido a faltas ou atrasos dos alunos. Cada um recebeu um filme para comentar. Alguns optaram por comentar dois.

O blog é atualizado à medida que os novos textos vão chegando.

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Samba de Quadra

O curta metragem Samba de quadra rebusca do samba suas raízes, na cidade de Quadra interior de São Paulo. O pouco conhecido samba caipira que animava os grandes encontros festivos de uma geração que envelheceu e vai morrendo junto com essa rica tradição. O documentário se mostra um importante registro cultural e procurapromover essa tradição, antes que seja totalmente esquecida. (Raul da Costa Neto)

 

Alice

Alice foi o curta metragem que recebeu menos aplausos na primeira noite, pois não traz nada de inovador, mas sim o que estamos cansados de ver. O diretor desperdiça bons atores e uma boa filmagem, com mais uma estória banal de um casal que se reencontra após tempos de sua separação, solitários, abandonados pelos amigos durante uma noite de carnaval.  Tenta passar a ideia de que se não forem aproveitadas, as oportunidades se vão, desperdiçadas primeiro por ela e dessa vez por ele. (Raul da Costa Neto)

 

Crocodilos 

Na adolescência o corpo muda, a cabeça muda, não se brinca mais com bonecas e sim de beijar garotos (as), a roupa íntima passa a ser parte fundamental do guarda-roupa. As cobranças não são externas – como quando se é adulto – e sim internas, pois se está perdido, e por mais que se tenha uma família com bases, cada um tem que encontrar seu caminho sozinho. Eu e Crocodilos, mostra a adolescência de Raquel, uma menina que se acha magra e não atraente para os meninos, e isso a deprime.

As cenas que compõem o filme despertaram no público tanto risadas quanto olhares de complacência, pois se encaixam totalmente na vida de quem já passou por essa fase de transformações. Os crocodilos são as barreiras que todos temos em nossas vidas, mas que se mostram com maior voracidade na adolescência, pois se está mais sensível. E isso a direção de Marcela Arantes conseguiu mostrar muito bem, principalmente com a cena em que Raquel mergulha em um lago, onde haveria crocodilos, ao mesmo tempo que se deixa envolver com um garoto, sem a pressão de ninguém, se guiando apenas pelo seu coração. (Tatiana Cardoso)

 

Ana Beatriz 

O curta de Clarissa Cardoso (DF), adaptado de um conto, traz a história do encontro entre Ana Beatriz e Paulo Roberto, vizinhos solitários e solteiros de um mesmo condomínio, que se conhecem e se apaixonam num dia de sábado. O narrador apresenta a rotina de Ana, balconista de uma loja de roupas em um shopping center, a partir do momento em que ela acorda no seu apartamento. De início, as informações dadas pela locução correspondem às imagens, mas chama a atenção o modo como essa locução vai se dissociando aos poucos da narrativa visual, escapando da armadilha da redundância, que sempre precisa ser contornada na adaptação literária. Essa dissociação se torna mais intensa quando o narrador descreve a rotina de Paulo, enquanto acompanhamos as cenas de Ana Beatriz em seu trabalho. O curta adota a técnica de captar a ação em sequências de quadros, como se tivessem sidos feitos por uma máquina fotográfica. Nessa técnica, a montagem cria um efeito de movimento quase contínuo, deixando evidente o pequeno intervalo de tempo que existiu entre as fotografias clicadas para compor o filme – assim como fez Kleber Mendonça Filho em “Vinil Verde”, exibido na Goiânia Mostra Curtas de 2005. Mas a semelhança entre os dois curtas termina aí: enquanto “Ana Beatriz” parece prescindir da técnica, numa opção formal mais arbitrária e adequada à proposta narrativa que dispensa os diálogos, “Vinil” se apropria do efeito para construir um estranhamento que sublinha o macabro e o absurdo, além de sustentar o suspense necessário à trama. (Carlos Cipriano)

  

O menino que plantava invernos

Direção: Victor Hugo Borges

Formato: 35mm, animação

Ano Produção: 2008

Duração: 15min

 “O menino que plantava invernos” é uma animação que conta a estória de um menino obcecado em querer seus pais de volta, e a vida lhe oferece isso de uma maneira, aparentemente, não convencional perante os olhos da maioria das pessoas.

A animação recorre a cores, luzes, sombras e diferentes planos para a definição dos personagens, situando um clima macabro e de terror. O preto e branco em textura de desenhos a lápis definem o passado do menino ou morte, e os desenhos em cores, com textura de pintura plástica, o seu presente ou vida.

O diretor optou por contar a estória ao estilo do cinema mudo, com quadros narrativos, mas não elimina o som de alguns objetos, sendo muitos destes a pitada de humor da narrativa. Ele também utiliza muito de desenhos explicativos da linha de pensamento do personagem, o que torna a animação interessante e criativa, provocando reflexões sobre nossas atitudes com a vida e aceitação do nosso destino. (Lara Morais Kuehlewind)

  

Sombras de uma realidade

Esse documentário de curta-metragem do diretor Douglas Pinheiro conta em treze minutos, retrata um passado vivido por três mulheres e relata também como serão suas vidas daqui pra frente.
O curta tem elementos do filme Submission, realizado pelo cineasta Theo van Gogh que relatou a “sombra” de uma mulher mulçumana. Theo foi assassinado por mulçumano por causa desse curta-metragem. Isso são “sombras” de uma realidade onde a religião não aceita suas revelações. 

Apesar de o diretor Douglas demonstrar realidades de somente de uma classe social, deixa claro que isso ocorre em todas as classes de qualquer lugar do mundo. E afinal foi graças a uma biofarmaceutica cearense que lutou vinte anos com sua “sombra” que deu origem a Lei 11.340/06 – Apelidada em homenagem a essa guerreira, por Lei Maria da Penha. (Rodrigo Oliveira)

 

O hip hop na terra do estilo sertanejo

B-Boy, B-Girls, você já ouviu falar nesses nomes? Então vou dar umas dicas: outros nomes conhecidos da área são Mc, DJ e Graffit. Esses são alguns personagens que fazem parte do movimento cultural hip hop. Um movimento de rua, como é conhecido, e que por muitos é descriminado por pessoas que desconhecem o assunto e o associam a drogas e crimes. Puro preconceito, nos mostra o documentário Isso é hip hop, com direção de Rosa Berardo, produção dos alunos de audiovisual da Universidade Estadual de Goiás e SEE. O filme retrata a história do ritmo musical e de vida do hip hop em Goiás. Como surgiu, quem faz parte, como a sociedade o vê, são algumas das questões descritas e contadas através de entrevistas com personagens que fizeram e fazem parte desse movimento na capital conhecida pelo estilo musical sertanejo.

As entrevistas são de integrantes do movimento hip hop em Goiás, como os citados B-boys, as B-girls, os Mcs, os DJs e Graffiteros, todos usam elementos do movimento, da música, da dança e do desenho, para contarem as suas dificuldades nas ruas. Além de entrevistas, outro recurso utilizado pelo documentário são as animações e a voz off, contando a história do estilo de vida hip hop, que remonta aos tempos do lendário Martin Luther King, um dos maiores ativistas dos direitos humanos. Essa e outras curiosidades do movimento de rua podem ser descobertas no documentário Isso é hip hop. (Jade Azevedo)

  

Rua 04

Este curta de apenas um minuto retrata o caos do trânsito nas grandes cidades. Em uma só seqüência, o diretor Bruno Melo mostra uma rua com grande fluxo de carros, representados por sons de buzinas e burburinhos que incomodam em poucos segundos. Essa agonia nos faz refletir sobre o excesso de carros nas ruas e o consumismo desenfreado da nossa geração.  É um tema muito complexo tratado de maneira simples e direta. Não vai a fundo às questões que o cerca, mas de forma rápida demonstra uma preocupação pra com algo que deve ser resolvido com urgência. Esse é o momento de fazer mudanças. (Camila Araújo) 

 

Amor sem palavras

Filmado em preto e branco, este curta nos desperta um sentimento de nostalgia em relação ao cinema mudo e a sua forma ingênua de contar uma história, já que a fala é uma das formas mais fáceis de o ser humano demonstrar o seu lado perverso. A princípio os efeitos sonoros nos levam a pensar que o curta é um tipo de comédia romântica. Mas durante os seus três minutos, os atores mostram que há uma grande dificuldade de se comunicar a partir de diferentes linguagens. Entre gestos, caretas e recados escritos, o casal não se entende. As palavras não servem como reconciliação e nem os gestos como consolo. É através de outra forma de se comunicar que o problema é resolvido: o tato. A partir do toque que a comunicação se estabiliza. De forma cômica o curta metragem mostra que as boas relações são conquistadas de maneiras simples. Já dizia Charles Chaplin: “O som aniquila a grande beleza do silêncio”. (Camila Araújo)

 

Delícia

Comer em restaurante já virou rotina para muitas pessoas. A vida moderna nos priva de tempo para passar em casa, sentar com a família e comer. O diretor Renato Cirino demonstra através de efeitos sonoros e visuais que o momento de comer deixou de ser um ritual socializador como antes, pra se tornar algo mecânico. Nos sentamos em restaurantes sem perceber quem está a nossa volta e muito menos o que está no nosso prato. Você sabe de onde vem a comida que você se alimenta? Quem estava sentado ao seu lado?

Cirino mostra uma cena rápida sobre o consumo de carne, através de uma cena chocante de um animal sendo abatido. Confronta nossa tendência a, quando estamos comendo um bife, não pensar que um animal foi morto.

Em 5 minutos, o diretor lançou muitas idéias sem se preocupar em concluir nenhuma delas. Fica a cargo do público tirar suas próprias conclusões. (Camila Araújo)

Postado às 13:07

1 de outubro de 2009
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Postado às 16:45

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